LIÇÃO
3 – NÃO TERÁS OUTROS DEUSES
TEXTO
ÁUREO
"Ouve, Israel, o SENHOR, nosso
Deus, é o único SENHOR." (Dt 6.4)
VERDADE
PRÁTICA
O primeiro mandamento do Decálogo é
muito mais que uma apologia ao monoteísmo; trata-se da soberania de um Deus que
libertou? Israel da escravidão do Egito.
INTRODUÇÃO
O primeiro mandamento vai além da
proibição à idolatria; é contra o politeísmo, seja em pensamento, seja em
palavras. O propósito é levar Israel a amar e a temer a Deus, e a adorar
somente a Ele com sinceridade. Deus libertou os israelitas da escravidão do
Egito e por essa razão tem o direito ao senhorio sobre eles, da mesma maneira
que Cristo nos redimiu e se tornou Senhor absoluto da nossa vida.
I -
A AUTORIDADE DA LEI
1. A
fórmula introdutória do Decálogo. Os Dez Mandamentos estão
registrados em dois lugares na Bíblia (Êx 20.1-17; Dt 5.6-21). A fórmula
introdutória: "Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo [...]"
(Êx 20.1), é característica única, como disse o rabino e erudito bíblico Benno
Jacob: "Nós não temos um segundo exemplo de tal sentença
introdutória". Nem mesmo na passagem paralela em Deuteronômio é repetida,
mas aparece de maneira reduzida ao mínimo absoluto.
2.
As partes do concerto. O prólogo dos Dez Mandamentos identifica as
partes do concerto do Sinai: "Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da
terra do Egito, da casa da servidão" (Dt 5.6; Êx 20.2). Estas palavras são
a fonte da autoridade divina da lei e o prefácio de todo o Decálogo. É o termo
legal de um pacto. De um lado, o próprio Deus, o autor do concerto, e de outro,
Israel, o povo a quem Deus escolheu dentre todas as nações (Dt 4.37; 10.15). O
nome de Israel não aparece aqui, pois não é necessário. Deus se dirige ao seu
povo na segunda pessoa do singular porque a responsabilidade de servi-lo é
pessoal, é para cada israelita, mas está claro que o texto se refere a
Israel-nação.
3. O
Senhor do universo. Alguns críticos liberais, com base numa
premissa falsa sobre a composição dos diversos códigos do sistema mosaico,
querem sustentar a ideia de um Deus tribal ou nacional na presente declaração.
São teorias subjetivas que eles procuram submeter a métodos sistemáticos para
dar forma acadêmica ao seu pressuposto. Mas o relato da criação em Gênesis e do
dilúvio, por exemplo, fala por si só da soberania de Jeová em todo o universo
como Senhor do céu e da terra, reduzindo as ideias liberais a cinzas.
4. A
libertação do Egito. A segunda cláusula - "que te tirei da
terra do Egito, da casa da servidão" - é uma explicação de como se
estabeleceu o concerto. Estava cumprida a promessa de redenção feita a Abraão
(Gn 15.13,14). A libertação de Israel do Egito prefigura a nossa redenção, pois
éramos prisioneiros do pecado e Cristo nos libertou (Jo 8.32, 36; Cl 1.13, 14).
É legítimo o senhorio de Deus sobre Israel da mesma maneira que o Senhor Jesus
Cristo tem o direito de reinar em nossa vida (Gl 2.20).
II -
O PRIMEIRO MANDAMENTO
1.
Um código monoteísta. O pensamento principal do primeiro
mandamento abrange a singularidade e a exclusividade de Deus. Esse mandamento é
o fundamento da vida em Israel, a base de toda a lei e de toda a Bíblia. Jeová
é o único e verdadeiro Deus e somente Ele deve ser adorado (Mt 4.10). É a
primeira vez que um código de lei apresenta a existência de um só Deus:
"Não terás outros deuses" (Dt 5.7; Êx 20.3). Os povos da antiguidade
eram politeístas, pois adoravam a vários deuses.
2.
Idolatria do Egito. Os antigos egípcios empregavam o termo
TaNeteru, "terra dos deuses" para o seu país. Havia no Egito uma
proliferação de deuses como as tríades Osíris, Ísis e Hórus, divindades
padroeiras da cidade de Ábidos; Ptah, Sekhmet e Nefertum, de Mênfis; AmonRá, Mut e Khonsu, de Tebas. Os
israelitas viviam em meio a essa cultura pagã.
3.
Como Israel preservou o monoteísmo de Abraão? Os egípcios
abominavam os pastores de ovelhas, principal atividade dos filhos de Israel.
Por essa razão os hebreus foram viver em Gósen, separados da idolatria (Gn
46.34). Agora, o próprio Deus comunicava
por meio de Moisés sua singularidade e exclusividade. Era a revelação da
doutrina monoteísta.
III
- EXEGESE DO PRIMEIRO MANDAMENTO
1.
Outros deuses. As palavras hebraicas aherim e elohim,
"outros deuses", referem-se aos falsos deuses. O substantivo elohim
se aplica tanto ao Deus verdadeiro como aos deuses das nações. No primeiro
caso, é usado para expressar o conceito universal da deidade, como encontramos
no capítulo inteiro de Gênesis 1, pois expressa a plenitude das excelências
divinas.
2. O
ponto de discussão. A expressão "diante de mim" (Dt
5.7b), em hebraico, al-panay, é termo de significado amplo: "além de mim,
acima de mim, ao meu lado, oposto a mim, etc." Essa variedade de sentido
pode levar alguém a pensar que o primeiro mandamento não proíbe o culto dos
deuses, mas a adoração aos deuses diante de Deus. Há quem defenda tal
interpretação, mas é engano, pois o propósito de al-panay aqui é mostrar que só
Jeová é Deus. Não existe nenhum deus além do Deus de Israel (Is 45.6,14,21; Jo
17.3; 1 Co 8.6). Os deuses só existem na mente dos gentios (1 Co 8.5) e não
sãos reais (Gl 4.8). Os ídolos que os pagãos adoram são os próprios demônios (1
Co 10.19-21).
3. O
politeísmo. É a prática de adoração a mais de uma divindade. Esta
era a prática dos cananeus e de todos os povos da antiguidade, e continua ainda
hoje em muitas culturas. O termo vem da língua grega, reunindo polys,
"muito", e theos, "deus". Isso significa que o politeísta
serve e adora a vários deuses, e não o simples fato de reconhecer a existência
deles. Trata-se de um sistema oposto ao monoteísmo (monos, "único"),
a crença em um só Deus, revelado nas Escrituras Sagradas (Dt 6.4).
IV -
O MONOTEÍSMO
1.
Os mandamentos, os estatutos e os juízos. Essas palavras denotam
toda a lei do concerto (Dt 6.1, 2). A pedido do próprio povo, Moisés passa a
relatar, a partir daqui, as palavras que Deus lhe disse no monte (Dt 5.27-31).
A ordem aqui tem por objetivo estreitar a relação de Deus com os filhos de
Israel quando entrarem na Terra Prometida. O povo precisava ser instruído para
viver em obediência e no temor de Jeová, e assim possuir a terra dos cananeus
por herança (Dt 4.1).
2. O
maior de todos os mandamentos. Note que a frase "o
SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (Dt 6.4) é citada por Jesus Cristo
como parte do primeiro e grande mandamento da lei (Mc 12.29, 30). Essa é a
confissão de fé do judaísmo e, ainda hoje, os judeus religiosos recitam-na três
vezes ao dia.
3. A
Trindade na unidade. A palavra hebraica usada aqui indica uma
unidade composta por isso o monoteísmo judaico-cristão não contradiz a doutrina
da Trindade. A mesma palavra é usada para afirmar que marido e mulher são
"uma só carne" (Gn 2.24). A expressão "o único SENHOR" se
traduz também por "o SENHOR é um" (Zc 14.9). A Bíblia Hebraica,
tradução judaica do Antigo Testamento para o português, traduz o termo como
"o Eterno é um só". Além disso, vemos a Trindade indiretamente em
todo o Antigo Testamento. O Novo Testamento tornou explícito o que dantes
estava implícito com a manifestação do Filho de Deus.
CONCLUSÃO
Aprendemos na presente lição que Deus
revela a si mesmo no seu grande nome e que a nossa adoração deve ser exclusiva,
pois ELE é singular. O Espírito Santo mostra que o primeiro mandamento é muito
mais que uma simples apologia ao monoteísmo, mas diz essencialmente o que Jesus
nos ensinou: ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).
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Referências
Revista Lições Bíblicas. OS DEZ MANDAMENTOS, Valores divinos para uma sociedade em
constante mudança. Lição 03 – Não terás outros deuses. I – A autoridade da
lei. 1. A fórmula introdutória do Decálogo. 2. As partes do concerto. 3. O
Senhor do universo. 4. A libertação do Egito. II – O primeiro mandamento. 1. Um
código monoteísta. 2. Idolatria do Egito. 3. Como Israel preservou o monoteísmo
de Abraão? III – Exegese do primeiro mandamento. 1. Outros deuses. 2. O ponto
de discussão. 3. O politeísmo. IV – O monoteísmo. 1. Os mandamentos, os
estatutos e os juízos. 2. O maior de todos os mandamentos. 3. A trindade na
unidade. Editora CPAD. Rio de Janeiro – RJ. 1° Trimestre de 2015.
Elaboração
dos slides: Pastor, Ismael Pereira de Oliveira
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